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Relacionamentos amorosos e padrões herdados da ancestralidade.

É fascinante como as dinâmicas familiares se podem se repetir ao longo das gerações.

Os relacionamentos amorosos são, muitas vezes, o palco onde encenamos roteiros que não fomos nós que escrevemos. Na visão sistémica e nas Constelações Familiares, compreendemos que não escolhemos um parceiro apenas por afinidade pessoal, mas por uma ressonância invisível entre os nossos sistemas familiares.

Aqui está o desenvolvimento deste tema sob quatro pilares fundamentais:
  • As Lealdades Invisíveis e a Repetição de Destinos
Muitas vezes, repetimos padrões de relacionamentos infelizes, traições ou solidão como uma forma de "lealdade" aos nossos antepassados. Se uma avó foi abandonada ou uma mãe nunca foi feliz no casamento, o inconsciente familiar pode interpretar a nossa felicidade como uma "traição" ao sofrimento delas. Inconscientemente, sabotamos a nossa própria relação para continuarmos a pertencer ao grupo das mulheres (ou homens) que sofreram.

  • O Equilíbrio entre Dar e Receber
Diferente da relação entre pais e filhos (onde o fluxo é de cima para baixo), o relacionamento de casal exige um equilíbrio horizontal. Quando um parceiro "dá" demais e o outro apenas "recebe", cria-se uma dívida impagável. Quem recebe demais sente-se pequeno e, frequentemente, acaba por sair da relação. O padrão herdado aqui pode ser o de "salvador" ou "eterna criança", papéis que aprendemos na infância para tentar equilibrar o sistema dos nossos pais.

  • A Ordem: O Parceiro Anterior e os Pais
Para que um relacionamento prospere, é necessário que ambos os parceiros estejam "disponíveis". Isso significa: ter deixado a casa dos pais: emocionalmente, muitos ainda são "filhinhos da mamã" ou "bonequinhas do papá", o que impede que ocupem o lugar de homem ou mulher na relação atual.
Honrar o passado: se houve parceiros anteriores importantes (ex-maridos, ex-mulheres, noivos), eles precisam de ter um lugar de honra no coração. Se forem excluídos ou julgados, o sistema pode fazer com que um filho ou o parceiro atual manifeste comportamentos que lembrem aquele que foi esquecido.

  • O Parceiro como Espelho do Sistema
O seu parceiro é o seu maior mestre. Ele geralmente traz à tona exatamente aquilo que você ainda não integrou no seu próprio sistema. Conflitos repetitivos não são sobre o "outro", mas sobre partes de nós, ou dos nossos antepassados, que ainda não foram vistas, aceitas ou perdoadas.
Resumindo, relacionamentos amorosos não são eventos isolados, mas a manifestação de um fluxo sistémico. Quando olhamos para os nossos parceiros com a consciência de que eles também trazem todo o seu clã atrás de si, passamos do julgamento para a compaixão. A cura acontece quando concordamos com o destino dos que vieram antes, deixando com eles a sua dor e assumindo o direito de fazer diferente.

  • Como as feridas da criança interior (rejeição, abandono) se manifestam na escolha de parceiros
Sim, essa é uma camada profunda que complementa a visão sistémica. Na Biodescodificação, entendemos que o corpo e o psiquismo registam "feridas emocionais" como códigos de sobrevivência. Quando essas feridas não são integradas, elas tornam-se o filtro pelo qual escolhemos e atraímos os nossos parceiros. Aqui está como as principais feridas da infância se manifestam nos relacionamentos adultos: 

- A Ferida da Rejeição:
O Parceiro "Invisível". Quem viveu a rejeição profunda (muitas vezes ainda no útero ou na primeira infância) tende a criar uma máscara de "fuga". No amor: atrai parceiros que os rejeitam ou que não estão realmente disponíveis. A pessoa sente que não tem o direito de existir plenamente na relação, retraindo-se ao menor sinal de conflito. A Lógica: "se eu não me mostrar totalmente, não serei rejeitado novamente".

- A Ferida do Abandono: o parceiro co-dependente. Esta ferida gera um medo visceral da solidão. A criança que se sentiu abandonada torna-se um adulto que "precisa" desesperadamente do outro. No amor: cria relações de extrema dependência. Tolera abusos, desrespeito e infelicidade apenas para não ficar só. É o perfil que "sufoca" o parceiro com demandas de atenção constante. A lógica: "Farei qualquer coisa para que não me deixes".

- A Ferida da Humilhação: o parceiro "salvador" ou masoquista. Surge quando a criança sentiu que as suas necessidades ou o seu corpo foram motivo de vergonha para os pais. No amor: procura parceiros que "precisam de conserto". Assume as dores e problemas do outro como se fossem seus, esquecendo-se de si mesma. Frequentemente atrai parceiros que a desvalorizam, repetindo o ciclo de humilhação. A lógica: "se eu for indispensável e cuidar de tudo, serei digno de amor".

- A Ferida da Traição: o parceiro controlador. Aparece quando a criança se sentiu traída por um dos progenitores (geralmente do sexo oposto) que não cumpriu uma promessa ou quebrou a confiança. No amor: desenvolve uma necessidade obsessiva de controlar o parceiro. É extremamente ciumento e vigilante, pois antecipa a traição a qualquer momento. Tem dificuldade em entregar-se verdadeiramente por medo de ser vulnerável. A lógica: "eu controlo tudo para nunca mais ser apanhado de surpresa".

Resumindo, as feridas da criança interior funcionam como um íman biológico. Nós não atraímos quem queremos, atraímos quem ressoa com a nossa dor para que ela possa ser vista e curada. A Biodescodificação ensina que, ao identificarmos o código emocional da ferida, podemos "desprogramar" o padrão e começar a escolher parceiros a partir da nossa essência adulta, e não da carência infantil.

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