Nas últimas décadas, patologias como a Tiroidite de Hashimoto, a Artrite Reumatoide, o Lupus ou a Esclerose Múltipla tornaram-se cada vez mais frequentes, sobretudo entre mulheres.
Não se trata apenas de melhor diagnóstico.
Algo mudou profundamente no nosso estilo de vida.
A inflamação crónica:pano de fundo moderno.
O sistema imunitário foi concebido para responder a ameaças pontuais. Hoje, porém, vive em alerta constante.
- alimentação ultra processada,
- excesso de açúcar,
- privação de sono,
- stress contínuo,
- e exposição a químicos ambientais
...mantêm o organismo num estado inflamatório persistente.
Um sistema imunitário continuamente ativado tem maior probabilidade de perder a capacidade de distinguir “eu” de “não-eu”.
O intestino como centro da regulação imunitária.
Grande parte da nossa imunidade está associada ao intestino.
Alterações da microbiota, disbiose e aumento da permeabilidade intestinal favorecem a entrada de moléculas inflamatórias na corrente sanguínea, estimulando respostas imunitárias exageradas, sobretudo em pessoas geneticamente predispostas.
Toxinas e disruptores hormonais: vivemos expostos a plásticos, pesticidas, metais pesados e cosméticos sintéticos. Muitos destes compostos interferem com o sistema endócrino e imunitário, alterando mecanismos inflamatórios e expressão genética (epigenética).
Stress crónico e desregulação neuro imune.
O sistema nervoso e o sistema imunitário comunicam constantemente. O stress persistente altera o cortisol, a microbiota, a permeabilidade intestinal e a regulação imunitária. Experiências traumáticas precoces também estão associadas a um maior risco de doença inflamatória na idade adulta.
>> Porque afeta mais as mulheres?
As mulheres representam cerca de 70–80% dos casos de autoimunidade.
Os estrogénios modulam a resposta imune, tornando-a mais ativa.
Essa vantagem na defesa contra infeções pode, paradoxalmente, aumentar o risco de respostas autoimunes.
Em síntese:
O aumento das doenças autoimunes reflete o modo de vida do século XXI:
- inflamação constante,
- sobrecarga tóxica,
- stress
- e desconexão dos ritmos biológicos.
A autoimunidade não surge do nada, é o resultado de múltiplos fatores que ultrapassam a capacidade de adaptação do organismo.
A boa notícia é que muitos desses fatores são modificáveis. Cuidar do intestino, reduzir a inflamação, respeitar o sono, regular o stress e diminuir a carga tóxica são passos fundamentais para restaurar o equilíbrio.
Porque, no fundo, a autoimunidade é um pedido de regulação, não um erro do corpo.