A fertilidade é muitas vezes vista apenas como uma função biológica. Mas, quando o corpo não consegue conceber, mesmo sem uma causa médica evidente, é importante olhar para além do físico.
O corpo não é separado da história. Ele carrega memórias, emoções e lealdades que não começaram nesta vida. Dentro de cada mulher e de cada homem existe um campo sistémico que influencia silenciosamente a sua biologia. A fertilidade responde a esse campo. O corpo pertence a um sistema. Não nascemos sozinhos. Nascemos dentro de uma família, de uma linhagem, de um campo de experiências não resolvidas. Perdas, abortos, mortes precoces, segredos, exclusões, traumas, rejeições, violência, abandono…
Tudo o que não foi visto ou honrado não desaparece, permanece ativo no sistema.
Muitas vezes, um descendente tenta, de forma inconsciente, compensar ou reparar algo do passado. E o corpo pode expressar isso através da fertilidade. Lealdades invisíveis. Na linguagem sistémica, chamamos a isto lealdades invisíveis.
Alguns exemplos:
- Não posso ter mais do que a minha mãe teve.
- Não posso ser mais feliz do que quem sofreu.
- Se não houver espaço para uma criança neste sistema, o corpo fecha-se.
- Se uma perda não foi chorada, o corpo pode parar para lembrar.
A infertilidade pode ser, inconscientemente, uma forma de pertença e fidelidade ao clã.
O corpo reage ao campo emocional. O sistema nervoso responde ao ambiente emocional. Se o campo familiar carrega medo, dor, insegurança ou conflitos não resolvidos, o corpo pode interpretar que não é seguro gerar vida. A biologia só cria quando sente segurança. Fertilidade não é apenas função. É permissão interna para continuar a vida. Quando honrar abre caminho...
Ao olhar para a história familiar com respeito e consciência, algo começa a mudar.
Quando:
- As perdas são reconhecidas
- Os excluídos são incluídos
- Os destinos difíceis são honrados e cada um ocupa o seu lugar, o corpo já não precisa carregar o que não lhe pertence.
A fertilidade pode então deixar de ser um campo de tensão e tornar-se um campo de abertura. A vida quer seguir A vida tem uma força natural de expansão. Quando deixamos de bloqueá-la com dores que não são nossas, ela encontra o seu caminho.
Às vezes, o maior ato de amor é dizer internamente:
“Honro o que foi. Agora permito que a vida siga.”
O corpo escuta.
E responde.