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O corpo também faz balanço: o que o seu organismo lhe conta sobre o ano que passou...

Dezembro chega e, sem que nos demos conta, o corpo começa a abrandar.
Há um cansaço diferente não apenas físico, mas profundo, como se as células quisessem respirar antes de começar de novo.

E é exatamente isso que acontece: o corpo faz o seu balanço interno, tal como a mente faz listas e resoluções.

Durante todo o ano, o organismo registou silenciosamente as suas emoções, escolhas e ritmos. Cada digestão, cada noite mal dormida, cada suspiro ou tensão guardada moldaram o seu estado atual.No fim do ciclo, ele tenta libertar o que ficou por integrar. É por isso que, em dezembro, muitas pessoas sentem fadiga, inchaço, insónia, irritabilidade ou ansiedade e não é apenas o excesso de compromissos, é o corpo a tentar fechar o ano.

A fadiga do fim de ano é mais do que falta de ferro ou vitaminas: é falta de pausa emocional.
Passamos meses a responder a exigências externas, e o sistema nervoso simpático, o do “fazer”, mantém-se em alerta. Quando o corpo finalmente sente que pode relaxar, ativa-se a exaustão. É o momento em que ele o convida a descansar, não por preguiça, mas por reconexão.

A ansiedade de fim de ano mistura-se com a expectativa do novo ciclo.

Biologicamente, o corpo sente o ritmo do tempo: os dias são mais curtos, há menos luz, e o sistema hormonal ajusta-se. Mas emocionalmente, somos empurrados para festas, metas e decisões e o corpo entra em incoerência temporal. Ele quer recolher-se, e nós forçamo-lo a expandir.

Reflexão:
“O que em mim teme ficar em silêncio?”

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